segunda-feira, 29 de maio de 2017

Guerra?
Descrição para cegos: em primeiro plano um grupo de policiais, alguns se protegendo com escudos, enquanto um deles atira. A foto capta o momento em que, disparada, o rastro de fogo do projétil sai do cano da arma. Ao fundo fumaça e coisas queimando. Sobre a calçada ao lado dos militares há um painel amassado. (Foto: Betinho Casas Novas)
                                                                                              Por Lucas Santos
Século XXI, 2017, América do Sul, Brasil. Ainda é tolerável que exista Polícia Militar. Quando digo tolerável, não falo que é algo aceitável, mas a sociedade discute e confronta a sua existência. Pessoas anseiam que ela continue do jeito que está e perpetue sua guerra. Pois estamos em guerra, guerra contra as drogas, guerra contra os marginais, guerra contra manifestantes, guerra contra os indígenas, GUERRA.



Eles são treinados para isso. No dia 25 de março foi publicado um vídeo mostrando o trecho de um exercício de corrida da Rotam (Rondas Táticas Metropolitanas) do Paraná, um braço da PM. Enquanto corriam, os militares cantavam músicas que incitavam a violência como "arranca a pele, esmaga os seus ossos, jogue eles na vala e reza o Pai Nosso". Ao fim do vídeo o policial que puxa o coro ele evoca a guerra: “Muito tempo se passou nessa guerra desleal” e o vídeo acaba.
Esse tipo de treinamento para a truculência faz com que até mesmo situações pacíficas resultem em conflito violento. Foi o que aconteceu durante a greve geral do dia 28 de abril, no Rio de Janeiro. Ao fim da manifestação, quando os manifestantes cantavam o hino nacional, o ato foi interrompido com bombas de gás lacrimogênio, disparos em direção ao palanque enquanto pedia-se para que a Polícia parasse, e uma bomba lançada na direção do câmera, que perde o equilíbrio. Parece até que os PMs anseiam pela desordem ou, pelo menos, a incitam.
O objetivo de uma guerra é destruir o inimigo, aniquilá-lo, sobrepor-se a ele. Mas manifestações de movimentos sociais reivindicando seus direitos não podem ser encaradas como ação inimiga que deve ser aniquilada. A polícia é necessária, pois é ela que deve zelar pela segurança da sociedade, e por isso precisa ser preparada para tratar com a sociedade civil, não para uma guerra. A desmilitarização não significa o fim da polícia, mas um recomeço, a população não pode temer aqueles que deveriam lhe proteger.

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